segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Guerrilha do Araguaia. "O guerrilheiro que encantava mulheres"


De terno completo e abotuaduras, João Carlos Haas Sobrinho vive seus últimos dias de doutor em Porto Franco (MA) antes de se juntar à Guerrilha do Araguaia
 Em 1967, a pequena Porto Franco – cidade no centro-oeste do Maranhão, na divisa do atual Estado de Tocantins – ganhou um morador ilustre. Era o dr. João Carlos, médico gaúcho que apareceu do nada com a idéia de abrir um pequeno hospital. Para os moradores de Porto Franco, aquilo era uma benção, pois um hospital e um médico com experiência eram tudo o que a cidade precisava.
Em pouco tempo, dr. João Carlos se tornou uma figura querida em Porto Franco. Era atencioso, dedicado e bom de prosa. Os moradores passaram a chamá-lo para os eventos sociais, nos quais era recebido como convidado de honra. Quando o protocolo exigia, dr. João Carlos se apresentava a caráter, vestido de terno escuro, gravata fina e abotoaduras. Nas festas menos formais, podia aparecer de camisa de manga e calça quadriculada.


Dr. João Carlos entre duas jovens e uma senhora numa festa em Porto Franco (MA)
Com 26 anos, alto, magro e olhar doce, dr. João Carlos encantava as mulheres. E se encantava por elas.
Entre um atendimento no hospital, uma festa e um namoro, o médico encontrava tempo para uma missão que ninguém em Porto Franco poderia imaginar: dr. João Carlos preparava a revolução.
João Carlos Haas Sobrinho era de fato médico, mas não só isso. Era também militante do clandestino PCdoB com treinamento em guerra de guerrilha na China. Em Porto Franco, ele vivia em estado de hibernação à espera de ordens da cúpula do partido para engrossar as fileiras da Guerrilha do Araguaia, no Bico do Papagaio, no sudoeste do Pará, a 200 quilômetros de distância.
Dois anos depois de sua chegada a Porto Franco, finalmente chegou a convocação. O médico então anunciou a seus pacientes e vizinhos que era hora de partir, deixando moradores de Porto Franco com lágrimas nos olhos, sobretudo as mulheres.
Naquele mesmo ano, dr. João Carlos rumou para o Bico do Papagaio, onde passou a se apresentar como Juca. Foi lavrador, depois abriu uma pequena farmácia e se preparou para os combates que iriam transformar o Brasil numa grande Cuba. Foi morto pelo Exército em 1972. Seu corpo nunca foi encontrado.

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