sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Um pouco da cidade onde tudo aconteceu "São Domingos do Araguaia"

São Domingos do Araguaia - PA

Histórico

       A história do município de São Domingos do Araguaia teve início com a chegada do lavrador piauiense Serafim Canário da Silva, no ano de 1952. A partir do ano de 1953 outras famílias, inclusive parentes de Serafim, começaram a chegar e se estabelecer próximo ao local onde
habitava o lavrador piauiense.
       O povoado cresceu e por muito tempo ficou conhecido por “Centro das Latas”, por terem sido encontradas várias latas de querosene junto aos pés de mangueiras existente na área.
       O nome “São Domingos” surgiu em 1955, em homenagem ao primeiro padre que celebrou missa no local. São Domingos de Gusmão foi escolhido padroeiro da localidade, que passou a chamar-se “São Domingos das Latas”.
       Empreiteiras responsáveis pela abertura da Transamazônica nos anos 70, instalaram acampamentos para seus trabalhadores no local onde hoje se encontra a sede do município. Com isso e mais com a transferência de colonos de outras regiões do Brasil para as margens da nova rodovia aumentou consideravelmente a população do povoado. Outras áreas como os castanhais foram sendo ocupadas o que gerou conflitos pelas posses das terras. Essa disputa foi solucionada quando a Prefeitura de Marabá desapropriou os castanhais e doou para os agricultores.
       Destaque histórico do município de São Domingos do Araguaia foi a “Guerrilha do Araguaia”, luta armada iniciada pelos militares do Partido Comunista do Brasil contra o regime militar e sufocada entre 1972 e 1974 pelo Exército. Houve na época morte e desaparecimento de moradores, a exemplo do que aconteceu com os grupos de guerilheiros civis que instalaram-se em vários povoados, com Bom Jesus e Vila Metade, onde se apresentavam como agricultores ou comerciantes. Os militares praticaram atos de violência contra a população, guardados na memória dos moradores mais antigos. Somente com a reabertura democrática é que a população nacional tomou conhecimento desses fatos, mesmo assim, superficialmente.
       Com o rápido crescimento e desenvolvimento do distrito começou haver reivindicações pela autonomia política já que a localidade abrigava a maioria dos comerciantes e produtores de São João do Araguaia.
       Em 1991 foi realizado o plebiscito para emancipação do município tendo 99,5% dos votantes
apoiado esse movimento, que se concretizou no mesmo ano.
       A área do município de São Domingos do Araguaia foi desmembrada do município de São  João do Araguaia.
       O movimento migratório continua forte até os dias de hoje. A busca pela posse da terra na região é muito intensa e praticamente neste município proporcionou o aparecimento de vilas e comunidades em torno da sede e na zona rural.

Gentílico: são dominguense do araguaia

Formação Administrativa

       Elevado à categoria de município e distrito com a denominação de São Domingos do Araguaia, pela lei estadual no 5706, de 27-12-1991, desmembrado de São João do Araguaia. Sede no atual distrito de São Domingos do Araguaia (ex-localidade). Constituído do distrito sede.
Instalado em 01-01-1993.
       Em divisão territorial datada de 2001, município é constituído do distrito sede. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2005.



Postado por: Ellen Christien

Oswaldo não quis integrar a Guerrilha do Araguaia

Entre os pontos mais peculiares, e fortes, da história ditatorial militar brasileira está a chamada “Guerrilha do Araguaia”, agrupamento de esquerdistas da qual Oswaldo não quis fazer parte, apesar de, segundo ele, ter sido convidado. “Achei que não era o caminho”.

No livro “A Ditadura Escancarada”, o jornalista Elio Gaspari apontou, com base em uma profunda pesquisa, que desde 1966, ou seja, dois anos após o golpe, o PC do B “estocava militantes nas matas fechadas da região do Bico do Papagaio, numa das últimas frentes de expansão da sociedade brasileira”.

Segundo relatou no livro, com base em uma conversa do então presidente, general Ernesto Geisel, a intenção dos guerrilheiros era montar uma “zona liberada” no meio da floresta. Mas o efetivo era pequeno: até o primeiro semestre de 1972 eram 59 homens e 14 mulheres, que foram massacrados pelas três Forças Armadas.

Antes disso, ainda segundo o livro, eles teriam perdido apoio popular na região, o que dificultou ainda mais a situação, fora a escassez de recursos financeiros e alimentos.

“Achava que [a guerrilha] não tinha condição”, destacou Cid ao reproduzir frase Vladimir Lenin sobre o pegar nas armas: “o esquerdismo é a doença infantil do comunismo”. (FD)
 


Fonte: Diário de Cuiabá

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A GUERRILHA DO ARAGUAIA NAS TELONAS

Documentário de Vandré Fernandes estreiou na Mostra de SP e trouxe viés inédito do combate contra a ditadura no interior do país.

A Guerrilha do Araguaia já foi tratada a partir de dois pontos de vista primordiais: o lado oficial dos militares e o dos participantes da notória luta armada. Iniciado pelo PCdoB no fim da década de 60, o movimento que visava instalar a resistência popular contra a ditadura agora ganha nova abordagem no documentário "Camponeses do Araguaia - A Guerrilha vista por dentro", do diretor Vandré Fernandes, ex-dirigente da UJS.

O filme traz relatos dos diversos camponeses que vivenciaram a Guerrilha no dia-a-dia, contando curiosidades do relacionamento com os guerrilheiros e também das marcas que deixaram as torturas dos militares, ampla e irrestrita a todos que moravam na região onde foi deflagrado o conflito. Há ainda um rico bando de imagens, que complementam esse importante registro de uma parte ainda pouco explorada da história brasileira.

"Camponeses do Araguaia - A Guerrilha vista por dentro" faz parte da programação da 34ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e teve estreia marcada para o dia 22 de outubro no Unibanco Arteplex.
O Portal UJS bateu um papo com Vandré Fernandes, que conta mais detalhes de sua produção.

Como e quando surgiram as primeiras ideias para o documentário?

A ideia surgiu no primeiro sementre de 2009, quando ficamos sabendo que os camponeses do Pará que vivenciaram e se envolveram na Guerrilha do Araguaia iriam ser anistiados pelo Estado Brasileiro. No ínicio, a Fundação Mauricio Gragois queria apenas o registro na íntegra do processo da anistia e ter isso como arquivo histórico. Foi aí que percebi que aquela história podia render muito mais e apresentei um roteiro para realizarmos o documentário que pudesse, num futuro, participar de festivais e mostras, e que mais pessoas pudessem ter acesso ao episódio da Guerrilha. Como a Fundação não tinha experiência no desenvolvimento do audiovisual, então eu apresentei a Oka Comunicações e assim nasceu a parceria do Documentário.

Desde do ínicio, eu procurava contar a história da Guerrilha através do olhar do camponês. Basicamente, a marcação do roteiro seguiu quatro perguntas: como era região, como você (camponês)  chegou aqui, como foi o seu contato e impressão dos "paulistas" (os Guerrilheiros), como foi no tempo da Guerrilha e o contato com os militares e, por último, como você (camponês) e a região ficaram após a guerrilha. Veja que num documentário a gente procura seguir uma linha de roteiro para não fugir da história inicialmente pensada, e não propriamente um roteiro, como num filme de ficção. Mas aí fui percebendo que a história não fechava direito, faltava informações do porquê dos "paulistas" terem se deslocado para a região do sul do Pará e da tática militar utilizada pela ditadura para aniquilar os guerrilheiros. Então, eu e os produtores achamos melhor incorporar no documentário pessoas que preenchessem essas informações, como Renato Rabelo, presidente do PCdoB, e Romualdo Pessoa, professor da UFG que lançou um excelente livro intitulado "Guerrilha do Araguaia, a esquerda em armas".

Um dos diferenciais da produção é tratar da Guerrilha do Araguaia a partir do povo da região. Você consegue citar algum personagem que seja mais marcante para você?

Esse é de fato o diferencial, contar através do olhar do camponês. Sabemos pouco sobre o episódio pelos militares. Já o PCdoB tem vários registros que remontam a Guerrilha, como o Relatório de Arroio e Araguaia - relato de um guerrilheiro, de Glênio de Sá, para citar dois. Mas há vários documentos e livros a respeito. Não há exatamente o mais marcante, pois se a gente pegasse a história só de um camponês já teriamos um bom documentário. Porém, há histórias interessantes que acabaram não entrando no documentário, por conta do que eu disse de seguir uma linha de pensamento. Uma delas é da camponesa Neusa e o guerrilheiro Amaro, que mesmo sendo proibidos de ter um relacionamento amoroso - pois era perigoso para a organização - decidiram viver juntos, ele com mais de 40 e ela com 19 anos. Tiveram muitos filhos, todos com nomes de guerrilheiros. Amaro faleceu na década de 90 e Neusa está no documentário.

Mas a história mais impressionante foi contada pela camponesa e professora Oneide. Ela preparou um festival de teatro entre os alunos da região para ser apresentado em praça pública, com diversos temas locais. Foi feita uma montagem da Guerrilha e quando uma aluna interpretava Dina, uma guerrilheira, a polícia e o prefeito entraram dispersando a população e tiraram a roupa da jovem, deixando-a nua na praça, isso em 2006.
 
Que outras novidades o filme traz (imagens inéditas, informações novas etc.)?

A novidade, sem dúvida, são os relatos dos camponeses. No entanto, a TV Mirante nos cedeu imagens de treinamento do exército na região utilizados como forma de intimidamento que são impressionantes. Eles estavam indo para uma guerra de fato. Já as imagens do cotidiano da época, dos camponeses jovens, aqueles retratos de casamento, de pais, que no norte e nordeste são comuns, isso se perdeu, pois os militares queimaram tudo o que pudesse guardar alguma lembrança.

Quem são os apoiadores da produção? Como você avalia a viabilidade comercial de documentários como o seu no cenário atual?

O financiamento do documentário se deu através da Fundação Maurício Grabois e seu presidente Adalberto Monteiro, além do apoio de Leocir Rosa e Osvaldo Bertolino, que também nos ajudaram na condução no sul do Pará. Tivemos ainda a Oka Comunicações, através do meu amigo Rogerio Zagallo, produtor e editor, que se dedicou muito na finalização, Bruno Mitih, o fotógrafo, Daniel Altman, que musicou o filme, e eu, claro, fazendo quase tudo a custo zero. Foi o chamado "cinema de guerrilha". O formato documentário no Brasil vem ganhando bastante prestígio, tem produções para todos os gostos, como "Jogo de Cena", "Dzi Croquetes", "Cidadão Boilesen", "Terra Deu, Terra Come", "Alô Alô Teresinha".  As salas de cinemas com esses trabalhos vêm tendo um público cativo.

Depois da participação na Mostra, o filme será exibido em algum circuito e sairá em DVD?

Passamos pelo Festival do Rio e agora estamos na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, e isso é bem legal porque o filme passa a falar para mais pessoas. Ainda estamos aguardado respostas de outros festivais, inclusive fora do Brasil, mas não pensamos no circuito comercial, pois exige um investimento alto para a exibição nas salas. Acho mais interessante caminhar para a televisão e estamos em conversas com as TVs públicas e comunitárias. Já o DVD logo mais estará disponível no site da Fundação.


domingo, 27 de novembro de 2011

Lista de integrantes da Guerrilha do Araguaia

A lista abaixo reúne os integrantes conhecidos da Guerrilha do Araguaia
. Nos parênteses os codinomes pelo quais eram conhecidos, batizados pela guerrilha ou dados pelos moradores da região.
  • João Amazonas (Velho Cid) - integrante do PCB desde a década de 1930 e um dos fundadores e secretário-geral do PCdoB, era o teólogo da guerrilha, e responsável pela ligação entre os guerrilheiros na selva e a direção em São Paulo. Entrou e saiu diversas vezes na área do Araguaia durante o período, transportando militantes, dinheiro e orientações políticas, indo para o exílio na Albânia após o aumento da repressão militar na área, que impediu sua movimentação. Voltou ao Brasil após a Anistia e morreu aos 90 anos, em 2002.
  • Elza Monnerat (Dona Maria) - integrante da direção do PCB, fazia com Amazonas a ligação entre o Araguaia e o sul do país. Responsável pelo transporte de diversos militantes até o local da guerrilha e uma das primeiras a se instalar no Araguaia, durante os preparativos para a criação do núcleo guerrilheiro, voltou à clandestinidade urbana após o aumento da repressão militar na área, que a impediu de retornar à região do conflito, como Amazonas. Presa em fins de 1976 e libertada com a Anistia, morreu em 2004.
  • Maurício Grabois (Mário) - Membro da cúpula do PCdoB, integrante da Comissão Militar do Partido e comandante-em-chefe dos guerrilheiros do Araguaia. Foi morto numa emboscada na selva em dezembro de 1973. Seu corpo nunca foi encontrado e sua morte jamais admitida pelo Exército. É dado como desaparecido.
  • Ângelo Arroyo (Joaquim) - membro da cúpula do PCdoB e militante comunista desde 1945, foi um dos líderes da guerrilha, integrante da Comissão Militar. Foi um dos dois únicos guerrilheiros que escaparam vivos do Araguaia, depois da última campanha militar que exterminou a guerrilha, fugindo a pé para o Piauí atravessando a selva e dali para São Paulo. Foi fuzilado em dezembro de 1976 por agentes do Doi-Codi numa casa no bairro da Lapa, em São Paulo, onde se realizava uma reunião do Comitê Central do PCdoB, no episódio conhecido como Chacina da Lapa.
  • Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão) - o mais carismático e temido guerrilheiro do Araguaia, negro, forte, 1,98 m e ex-campeão carioca de boxe, considerado mítico pelos moradores do Araguaia, foi morto num encontro com uma patrulha militar em janeiro de 1974. Seu corpo foi pendurado num helicóptero e mostrado em sobrevoo pelos povoados da região. Decapitado, foi enterrado em lugar desconhecido. É considerado desaparecido político.
  • Líbero Castiglia (Joca) - Italiano, foi o único estrangeiro que participou da guerrilha. Com treinamento militar na China, era ligado ao Destacamento A e fazia a segurança da comissão militar da guerrilha. Foi um dos primeiros militantes a chegar à região do Araguaia. É dado como desaparecido desde o ataque do exército ao comando guerilheiro, no Natal de 1973.
  • André Grabois (Zé Carlos) - Filho de Maurício Grabois e vivendo na clandestinidade desde os 17 anos por causa da perseguição ao pai, foi comandante do destacamento A da guerrilha. Morreu em combate junto a outros três guerrilheiros, durante tiroteio com patrulha do exército em outubro de 1973, após caçarem porcos-do-mato. Seu corpo nunca foi encontrado, é dado como desaparecido.




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Brasil onde quem manda são os torturadores!


Infelizmente quem lutou por seus direitos foi preso, torturado, muitos desaparecidos e ate mesmo executado...
 Ja quem disse que tava defendendo o Brasil na verdade tava era torturando pessoas que lutavam por um Brasil melhor!


Postado por: Ellen Christien

domingo, 20 de novembro de 2011

As últimas ceias dos guerrilheiros


Depois de uma viagem à China para treinamento de guerra de guerrilha, em 1966, militantes do PCdoB se mudaram para a pequena cidade de Porto Franco, no oeste do Maranhão. Ficaram por lá durante um tempo (talvez um ano ou um pouco mais) à espera de ordens da cúpula do partido para se transferirem para o sul do Pará, região escolhida para instalar a guerrilha. Em Porto Franco, os guerrilheiros assumiram diversos disfarces (médico, comerciantes, agentes de saúde) e passaram a viver de forma pacata, animada e com um nível de conforto que não veriam mais.
FOTO 1
Não se sabe quantos guerrilheiros passaram por Porto Franco. O certo é que alugaram duas casas. Numa delas (FOTO 1, imagem recente), moravam o veterano líder do PCdoB Maurício Grabois (codinome Mário), seu filho André Grabois (Zé Carlos) e o genro Gilberto Olímpio Maria (Pedro). Na outra casa (FOTO 2), vivia João Carlos Haas Sobrinho (dr. Juca).
FOTO 2
Para manter seus disfarces, os guerrilheiros procuravam levar uma vida normal, misturando-se à população. Assim acabaram frequentando inocentes festinhas da sociedade porto-franquina, como mostram as fotos tiradas por moradores entre 1967 e 1968. Nas imagens, vê-se que, antes de descer ao inferno da guerrilha, os militantes do PCdoB celebraram a vida na companhia da povo que pretendiam representar. Comeram bem e brindaram com copos cheios, talvez pensando na revolução que nunca chegaria.
Não muito tempo depois que as fotos foram tiradas, os guerrilheiros enfim receberam ordens para deixar Porto Franco e se embrenhar nas matas do Bico do Papagaio, a 200 quilômetros adiante. Na guerrilha, viveram a vida bruta dos acampamentos na mata, passaram fome e se vestiram com andrajos. Quase todos morreram nas mãos do Exército.
FOTO 3
FOTO 3 – Dezembro de 1967. André Grabois (no fundo, de óculos) e Gilberto Olímpio Maria (à esquerda, em primeiro plano) participam da festa dos formandos da 4ª série do Ginásio Dom Orione. Há duas mesas servidas. A da direita, que aparece em destaque, é a mesa dos homens. Foi posta com esmero (repare nos copos de festa e na disposição simétrica dos pratos). A comida acaba de chegar: são oito tigelas bem-servidas. É possível identificar um punhado de pastéis, uma montanha de arroz e um prato que leva ovos partidos ao meio, tomates em rodelas e, como enfeite, azeitonas. Um zoom na imagem revela o que seria uma coxa de frango no prato que está à frente de André Grabois.
Os guerrilheiros estão com os cabelos cortados e penteados e vestem camisas claras e bem passadas. Esboçam um sorriso, mas o que revelam é uma certa tristeza. Os demais convidados parecem mais à vontade, e a mulher ao fundo, vaporosa, encanta o ambiente.
Em 1968, poucos meses depois daquela comemoração, André Grabois deixou Porto Franco para comandar o Destacamento A da Guerrilha do Araguaia. Deu tiros, assaltou um posto da PM e acabou morto pelo Exército, em 1973. No mesmo ano, tombou Gilberto Olímpio Maria. Os corpos de ambos permanecem desaparecidos.
FOTO 4
FOTO 4 – Ainda estamos na festa de formatura, mas agora na mesa da esquerda, a das mulheres, arrumada com tanto ou mais capricho que a dos homens. Toalha de babados bordada, copos finos e comida farta. A senhora de óculos, de 54, é apresentada aos moradores de Porto Franco como d. Maria. Seu nome verdadeiro é Elza de Lima Monnerat. Integrante do Comitê Central do PCdoB, é ela quem costuma buscar os companheiros em São Paulo e levá-los até o local da guerrilha.
Elza Monnerat foi um dos poucos guerrilheiros do Araguaia que conseguiram fugir da caçada promovida pelo Exército. Presa em 1976, em São Paulo, foi liberdade em 1979. Morreu em 2004, com 90 anos.
(Um detalhe curioso: anos depois do fim da guerrilha, quando souberam que seus antigos vizinhos eram guerrilheiros disfarçados, os donos das fotografias coloridas (monóculos) cortaram algumas delas para apagar os militantes do PCdoB. Nesta imagem, um corte apaga o rosto de Gilberto Olímpio Maria, que aparece na FOTO 1. Supõem-se que os donos do monóculo não identificaram que d. Maria também era guerrilheira).
FOTO 5
FOTO 5 – A comida já foi devorada; sobrou um garrafão no centro da mesa. A festa de formatura agora parece mais animada. Os mais velhos deixaram o ambiente e os jovens, inclusive adolescentes, tomaram conta. No canto direito, com o copo mais elevado para o brinde, aparece João Carlos Haas Sobrinho, o dr. Juca da Guerrilha do Araguaia.
Médico experiente, João Carlos Haas Sobrinho tinha consultório em Porto Franco. Em 1969, abandonou a cidade e o disfarce para se juntar aos companheiros que o esperavam no Bico do Papagaio. Morreu três anos depois, compondo a lista dos desaparecidos políticos.
FOTO 6
FOTOS 6 E 7 – Como é comum acontecer com os médicos do interior, João Carlos Haas Sobrinho era muito querido pelos moradores de Porto Franco e, por isso, sempre era convidado para as festas. Na FOTO 6, o dr. Juca (o mais alto) aparece numa festa da elite porto-franquina. Escondida por um papel já engordurado, a comida do jantar aguarda a hora de ser servida. Homens de terno, garrafas de espumante e o balde de gelo entregam: é um encontro “pequeno burguês”, como diriam os comunistas da época.
FOTO 7
Na FOTO 7, em outro evento, João Carlos Haas Sobrinho conversa com um morador de Porto Franco. Na mesa, garrafas de Pepsi Cola e um litro de “Pure Malt”.


Fonte: http://lfigueiredo.wordpress.com/2011/03/02/exclusivo-guerrilha-do-araguaia1-as-ultimas-ceias-dos-guerrilheiros/

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MILITAR QUE LUTOU NA GUERRILHA DO ARAGUAIA RECEBE MEDALHA TIRADENTES



Um dos principais membros do Exército brasileiro que combateu, há quase 40 anos, durante a ditadura militar, operações guerrilheiras no Centro-Oeste e no Norte do País – episódio que ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia –, o tenente-coronel Lício Augusto Ribeiro Maciel recebeu, nesta segunda-feira (31/03), a maior comenda concedida pelo Poder Legislativo fluminense, a Medalha Tiradentes. “Todos eles, especialmente os 16 combatentes que foram mortos por essas pessoas que diziam estar buscando uma democratização do Brasil, estão incluídos nessa honraria. Levando-se em conta as origens dos guerrilheiros, vemos que muitos estudaram em Cuba, alguns, inclusive, financiados pela Rússia, países que não têm nada de democrático. Era notável que a intenção era a de implantar um regime ditatorial de esquerda”, assegurou o autor da homenagem, deputado Flávio Bolsonaro (PP). “Vencemos a guerrilha com ensinamentos do Exército e nenhum de nossos combatentes foi morto de peito aberto. Foram todos covardemente assassinados. Eles deram a própria vida pela liberdade do País, assim como Tiradentes, cujo nome estampa essa homenagem. Nossa luta é exatamente para manter constante esse ideal de liberdade”, ressaltou o tenente-coronel. O grupo guerrilheiro a que se refere o militar era formado por integrantes do PCdoB, que pretendiam, a partir do campo, combater o governo militar e implantar um regime comunista no Brasil, à semelhança do que já havia ocorrido na China e em Cuba. Na ocasião, o combatente das Forças Armadas foi ferido, além de ter perdido 16 colegas de farda na operação. A guerrilha resultou ainda na morte da maior parte dos cerca de 80 revolucionários que combateram o Exército. “Graças a homens como o tenente-coronel Lício não temos, hoje, no Brasil, uma ilha de exclusão inacessível para o estado, assim como as Forças Armadas Revolucionárias (Farc) da Colômbia”, apontou Bolsonaro. O parlamentar destacou a importância de todas as versões da História serem contadas, e não apenas a dos revolucionários, para que se possa chegar a um conhecimento mais amplo de todos os fatos. “Os estudantes sofrem uma verdadeira lavagem cerebral nas escolas e nos bancos universitários, onde só chegam informações que interessam a pessoas de esquerda. Que democracia é essa totalmente parcial que nós vivemos, que lapida o cidadão desde sua formação, recriminando as Forças Armadas, o Poder constituinte e os militares de uma forma em geral?”, questionou o deputado. O tenente-coronel Lício decidiu expurgar as memórias daquele período no livro “Guerrilha do Araguaia – Relato de um Combatente”, que será lançado no próximo dia 8 de abril, às 17h, no Clube Militar, Centro do Rio. Nele, o autor faz, em 200 páginas, um relato minucioso da operação realizada para sufocar a guerrilha. “Calei-me durante todo esse tempo e, agora, resolvi colocar tudo no papel, para que todos pudessem tomar conhecimento dos detalhes dessa história”, contou o militar, que levou 12 meses para finalizar a obra. “Esses relatos vão servir de exemplo de garra e patriotismo aos mais novos e mais jovens que vão poder conhecer quem realmente eram os guerrilheiros. Eles cometeram o crime mais hediondo que já vi em uma guerra, mas não falam com vergonha. Um de meus companheiros foi morto e esquartejado na frente de sua família, com orelhas, mãos e dedos cortados diante de todos”, afirmou o tenente-coronel. 
 
Fonte: http://www.alerj.rj.gov.br/common/noticia_corpo.asp?num=24890